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Antonio Correa de Lacerda faz palestra no PNBE

16/02/2017 por Soraia Patricia

O economista Prof. Dr. Antonio Correa de Lacerda avaliou a crise econômica do País e a saída da recessão para o crescimento em encontro realizado dia 14 de fevereiro na sede da Oliveira Marques Associados Advogados.

Para ele, a crise sem precedentes que vivemos se deveu a uma soma de fatores negativos: barbeiragens do governo Dilma; redução da velocidade de crescimento da economia chinesa de 11% para 6,5% ao ano, levando à queda nos preços de duas commodities importante para o País (ferro e petróleo); Lava Jato que provocou grande diminuição das atividades de algumas das maiores empresas do País e a movimentação negativa do mercado financeiro.

A partir daí houve um autoengano bastante geral: a saída de Dilma resolve, o que evidentemente não aconteceu, a retomada será lenta.

Um dos problemas brasileiros apontados por Lacerda é a generalizada cultura do rentismo, bastante geral. Não se trata apenas dos grandes investidores que ganham muito dinheiro com os altos juros dos títulos do Governo: R$500 bilhões saíram do Governo, ou seja, da sociedade, transferidos a eles no ano passado, mais dez vezes o valor aplicado no Balsa Família. Mencionou como exemplo da cultura geral uma funcionária que comentou com ele ter R$ 20 mil poupados e agora ia ter menos rendimento, com a queda dos juros.

Outro problema é a falta de percepção do custo dos juros e um certo comodismo que leva as pessoas a preferir pagar os bens financiados com juros estratosféricos do que juntar antes o dinheiro para comparar a vista. “É possível entender que as pessoas que estão lavando roupa no tanque prefiram comprar logo a máquina de lavar, mas elas acabam pagando três, transferindo recursos para o sistema financeiro”.

Porque os juros são altos? Com a correção monetária, que ainda persiste em muitas áreas, nasceu o sistema de títulos indexados resgatáveis a qualquer momento, com juros altos, para financiar o setor público. Nos outros países é preciso investir a longo prazo para ter juros melhores, aplicações de curto prazo geram rendimentos irrisórios e agora até sofrem juros negativos.

O FGTS liberado e o programa de concessões vão dinamizar a economia? A liberação do FGTS terá algum impacto, talvez de 0,3%, são cerca de R$40 bilhões, o valor é pequeno em relação ao PIB, e parte vai para o pagamento de dívidas ao sistema financeiro. As concessões terão um impacto, mas a longo prazo, elas dependem hoje de financiamentos do BNDES, aliás, curiosamente, o banco vai financiar empresas estrangeiras, contra a opinião de seu corpo técnico. Se fossem canalizados entre 5 a 10% do valor dos Fundos de Pensão, que somam mais de R$ 700 bilhões, isso ajudaria.

A inovação tem muito impacto? Ela ocorre na área de informática, reduz custos e empregos. Na área industrial, onde é mais importante, há pouca possibilidade de haver inovação pois as empresas estão muito pressionadas pela valorização do Real, que favorece importações e dificulta exportações. As exportações do país vão bem apenas na área de commodities, onde o Brasil é competitivo. E este ano teremos uma safra recorde, que além de dinamizar a exportação tem impacto em outros setores que fornecem ao agronegócio.

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