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PNBE mostra capacidade de atração em debate sobre reforma política

22/11/2017 por Soraia Patricia

Por Cleinaldo Simões

A construção de uma democracia sempre é feita por estradas árduas, mas no Brasil a jornada demonstra ter mais percalços do que os analistas de risco têm coragem de adivinhar. De todo modo, 30 anos depois de ter integrado o time de jornalistas que foram à coletiva de imprensa de lançamento do Pensamento Nacional das Bases Empresariais, foi muito além das expectativas ver a capacidade deste grupo em atrair, numa véspera de feriado prolongado, mais de 200 estudantes e empresários para fazer um rescaldo do arremedo de reforma política que saiu do Congresso Nacional.

Com a proposta de discutir os impactos econômicos da reforma eleitoral, o encontro demonstrou ser possível discussões em alto nível mesmo quando há pontos de vista divergentes. Estimulada, a plateia votou por meio de aplicativo sobre o aprovado em Brasília. O jeito web de votar ajudou muito, bem como o perfil do estudantado – na FECAP preparam-se futuras gerações do comércio e serviços – e, sobretudo, os debatedores. O deputado Vicente Cândido tem passado ao largo dos escândalos políticos. É um autêntico, que acredita na proposta nascida das máquinas paradas do ABC na virada dos anos 70 para 80. Hoje presidindo o think tank Instituto Teotônio Vilella, José Aníbal é da ala que pode ser definida como cabeça erguida do PSDB. Discursa como os cabeças negras do congresso com a vivência da construção de um partido que se confunde como personagem da pior passagem da histórica política do país.

A exuberância dos pontos de vista expostos pelos políticos não influenciou a força e a clareza do economista Rubens Sawaya. De um fôlego só expôs de forma didática as mudanças que se teme fazer para tentar melhorar a distribuição de renda do país. Em outras palavras, pôs a culpa de nossas mazelas num tipo de pacto das elites, ou dos Donos do Poder ou do andar de cima. O problema está no fato da carreira política ser apenas isso, uma forma de ascensão social construída por votos adquiridos por promessas que serão cumpridas num custo social desproporcional aos ganhos. Para Sawaya, os grupos que tomaram o Congresso Nacional impedem, na prática, a distribuição de renda. No discurso, atuam por um mundo melhor. Os dados da concentração de renda no país demonstram que pode estar com toda a razão.

Os pontos de vista de Sawaya têm outro mérito. Põem no patamar adequado as nuances muito bem expostas em palavras, ênfases e pausas nos discursos políticos que o precederam. Demonstram que a vontade política está distante do bem-estar social. O caos da saúde, a previdência injusta, a insegurança pública, o ensino violentado e os pedintes da rua são contrapostas às vantagens e benefícios para ser membro do poder legislativo neste país. Tratamento em hospitais estrelados, aposentadoria integral aos 8 anos de dedicação na Câmara ou no Senado, legislação criminal protetiva e segurança particular, recursos para dar aos filhos o melhor ensino daqui e do exterior, melhorias visíveis no patrimônio. Dito isso, no Brasil soa como inveja. Em outros países é motivo de vergonha.

No evento, aos jovens participantes, se falou que eles terão a responsabilidade de mudar o futuro. Bom, se isso for verdade, não basta votar via aplicativos. Isso é um tipo, digamos assim, menor de participação. O desafio do PNBE é ter capacidade de mobilizar quem atrai. O movimento tem o sonho de construir a base de um tipo diferente de Brasil. Daqui a 30 anos, espero que alguns dos jovens que prestaram atenção no debate possam ter contribuído para mudar o estado das coisas.

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