Imprensa, Notícias

Vereadores debatem o desafio do Legislativo para a cidade de São Paulo

27/02/2018 por Soraia Patricia

Evento promovido pela FESPSP e pelo PNBE traz políticos que compareceram há um ano para dizer porque deveriam ser eleitos.

O que estão fazendo os vereadores eleitos? Pouco mais de um ano depois do início dos seus mandatos, quatro vereadores e um candidato não-eleito, mas com ativa participação no dia-a-dia da Câmara, estiveram no auditório da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) para falar sobre suas atuações em 2017 e discutir a função do legislativo para a vida pública. O evento aconteceu na manhã desta segunda-feira, 26 de fevereiro.

O evento, resultado de uma parceria entre a FESPSP, o Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), a Escola do Parlamento e o Movimento Voto Consciente, trouxe para a mesa os vereadores que participaram de outro debate realizado em setembro de 2016, que tratou das propostas dos então candidatos. Estiveram novamente presentes: José Police Neto (PSD), Soninha Francine (PPS) e Pedro Markun (não eleito, representante do Gabinete 56). Além deles, também estiveram presentes os vereadores Eduardo Suplicy (PT) e Gilberto Natalini (PV). Daniel Annenberg (PSDB) preferiu não comparecer por estar ocupando uma Secretaria e não estar legislando.

Em sua fala de abertura, a professora Carla Diéguez, diretora da Escola de Sociologia e Política da FESPSP, falou da importância de promover esse debate com os vereadores. “É importante que haja uma aproximação entre a sociedade e os seus representantes, a proposta deste evento é debater o legislativo municipal após mais de um ano do nosso debate anterior para sabermos o que eles estão fazendo e quais das suas propostas estão sendo encaminhadas”, declarou.

A mesa concordou que a Câmara de Vereadores de São Paulo gasta muito, mas este não é o maior problema, o problema é que a entidade está gastando mal. “Isto ocorre porque o diálogo com a sociedade não funciona. O setor público é caro porque gasta mal, não falta dinheiro, falta aplicar direito para termos saúde e educação de qualidade”, explicou Police Neto, que também debateu a importância da Câmara ser transparente ao divulgar seus dados e salários.

O trabalho do Tribunal de Contas do Município de São Paulo e dos órgãos de fiscalização municipais foi contestado pela vereadora Soninha Francine, que apontou a preocupação com detalhes como o funcionamento do ar-condicionado, enquanto que dinheiro destinado a operacionalização sendo aplicado em obras não são percebidos pelas entidades (na ocasião, a ex-secretária de Serviço Social do governo Doria fez uma denúncia sobre uma situação como esta). “Além disso, é muito difícil prestar conta do mandato do vereador, porque muitos são focados em regiões da cidade, enquanto outros possuem pautas de temas específicos. A Câmara gasta muito e mal em grande medida, mas o Tribunal de Contas é de um preço tão desproporcional. Trata-se de um órgão de controle maior do que duas ou três secretarias, maior do que oito subprefeituras para o orçamento da cidade”, destacou, acrescentando que o tribunal não precisa de tanto dinheiro ao mesmo tempo em que a Câmara paga altíssimos salários para assessores e desproporcionalmente um coordenador que possui muito mais responsabilidades em programas das Secretarias recebem muito menos.

O PNBE já fez uma campanha no passado pra fechar o Tribunal de Contas do Município, outros municípios são fiscalizados pelo estadual e assim também poderia ser com a cidade de São Paulo.

A decepção com os outros políticos pautou a fala do vereador Gilberto Natalini, do Partido Verde. “A vida me empurrou para ser vereador, estou na política desde 1964. Fico magoado que muitos políticos não estão lá para fazer e ser, mas sim para fazer a própria vida e ter negócios. Os parlamentos se tornaram locais para negociatas. Pretendo não me candidatar mais porque descobri que a minha geração fracassou, não temos um país de bem estar social”, lamenta.

“É importante que sejamos cobrados. Como legisladores temos a missão de representar o povo, para qualquer coisa que façamos. Como ser humanos eu sei que de vez em quando cometo bobagens e sei que os olhos do povo estão sempre atentos”, declarou Eduardo Suplicy.

Quando começou a estudar o regimento da Câmara, Pedro Markun percebeu que um vereador sozinho não podia fazer nada pois os dispositivos são feitos para serem jogados em conjunto e vereadores que rompem com esse grande pacto não aprovam projetos, não conseguem participar ativamente e seus discursos. Após não ser eleito em 2016, ele chegou a conclusão de que se é possível um vereador sem poder voto, ele pode ser um vereador sem mandato. “Assim nasceu o Gabinete 56 e eu começo a me colocar como vereador: elaboro lei e fiscalizo o executivo e o legislativo. Me proponho a saber e contar para a sociedade civil o que acontece ali”, explica.

O debate contou com a participação de representantes da FESPSP, do PNBE, da Escola do Parlamento e do Movimento Voto Consciente, além dos alunos dos cursos da Escola de Sociologia e Política (ESP-FESPSP) e da Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação (FaBCI-FESPSP) e representantes da sociedade civil.

Comente

*

Notícias Recentes

No Banner to display




Newsletter

Carregando...Carregando...



Jurômetro

Rua Barão de Itapetininga, 151 - cj 144 - 14º andar - República - 01042-909 - São Paulo SP
fone/fax (11) 3284-8687 - email: pnbe@pnbe.org.br
Copyright @ 1987-2012 PNBE - Pensamento Nacional das Bases Empresariais. Todos os direitos reservados