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14/02/2008 - Transposição do Rio São Francisco

Por zpress

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Jorge Hori falou sobre a transposição do Rio São Francisco


Polêmico projeto foi tema de palestra para convidados na sede da ADVB – SP


Com o intuito de esclarecer os principais pontos a favor e contra o polêmico projeto de Transposição do Rio São Francisco, o coordenador do PNBE,  Jorge Hori ministrou a palestra “Como Entender a Transposição do Rio São Francisco”, no dia 13 de fevereiro na sede da ADVB – SP.


O Rio São Francisco conta com 2.800 km de extensão, drenando uma área de aproximadamente 641.000 km2. Ele nasce no estado de Minas Gerais, na Serra da Canastra, desemboca no Oceano Atlântico, entre Sergipe e Alagoas. O Projeto de Transposição do Rio São Francisco já foi feito e refeito ao longo de várias décadas, mas foi ampliado no atual governo, após um planejamento conjunto entre 12 ministérios.


A proposta do Governo Federal é a construção de dois imensos canais de ligação do São Francisco com as bacias menores e seus açudes e, depois, a construção de futuras adutoras (por canos). O prazo previsto para a entrega da obra é de 20 anos, a um custo final estimado de R$ 6 bilhões. Pelo planejado inicialmente, ele beneficiará diretamente 60 cidades e uma população de 12 milhões de nordestinos.


Atualmente, 95% das águas do ”Velho Chico” desembocam no mar e apenas 5% são usadas pelas populações beneficiadas, em cidades ou na irrigação. Basicamente, o governo pretende aumentar o uso da água para benefício da população.


O projeto prevê retirar água justamente nas duas represas e levar essa água para duas outras bacias de rios menores, mas também importantes: a do rio Paraíba (a leste) e a dos rios Jaguaribe, Apodi e Piranhas-Açu (ao norte).


Em sua exposição, Jorge Hori apresentou aos convidados  informações sobre os prós e contras do projeto sem tomar posição ou juízo de valores. Foi uma oportunidade única dos interessados tomarem contato com o tema.


O palestrante explicou que há duas visões distintas do projeto: a primeira, do Governo Federal,  que o batiza de integração das bacias hidrográficas do São Francisco, enfatizando o lado social que beneficiará 12 milhões de pessoas. A segunda visão, chamada de “Transposição”, ressalta que o projeto gerará uma série de problemas ambientais para a região, além de não resolver o problema da seca no nordeste. Segundo Hori, o  projeto atual, aprovado pela ANA – Agência Nacional das Águas, beneficia apenas Fortaleza e Campina Grande, que são os dois maiores pólos comerciais do Nordeste e não condiz com o objetivo inicial de beneficiar toda a região, transformando-a na Califórnia Brasileira.


Hori ressalta que a questão central do projeto é o interesse no investimento que será feito com recursos do orçamento fiscal (tributos). “Diferente de um investimento econômico,  o projeto não dará retorno para o investidor. A disputa principal não é pela água e sim pelos recursos financeiros alocados. Outro ponto importante a ser mencionado é que o empreendimento não atenderá a população difusa, visto que não há rede de distribuição da água. A solução natural continuará sendo através dos carros pipas”, conta.


“O empreendimento envolverá um investimento aproximado de seis bilhões de reais. Esse custo será a "fundo perdido" ou seja sem retorno econômico direto, financiado com recursos tributários, através de verbas do Orçamento Fiscal da União. Não será cobrado dos beneficiários que receberão a água adicional, caracterizando-se - nesta parte - como um empreendimento social”, conclui.


PERFIL JORGE HORI


Formado em Administração Pública pela EBAP, tem larga experiência como consultor para a alta administração de empresas públicas e privadas. Vem concentrando a sua atuação em planejamento estratégico, desenvolvimento gerencial, processo de privatização-concessão, terceirização, globalização, cadeia produtiva, desenvolvimento tecnológico e modernização. 


Sócio-fundador em 1962 da Planasa-Planejamento e Assessoria Administrativa, é atualmente seu sócio-gerente. Exerce função docente como professor do MBA promovido pelo IPEP (Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa). Colaborador eventual do Ministério dos Transportes, coordenando projeto sobre os impactos dos bi-trens nas rodovias federais. Elabora os textos básicos do projeto Brasil 2022.



 


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