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20/09/2007 - “O BRASIL É DA SOCIEDADE CIVIL”
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Parece que o mundo está caindo, há 38 meses, sobre a cabeça dos brasileiros.


Não só pelo ruído e dor de vítimas concretas, mas especialmente pela  imoralidade e indignação, fica a população estarrecida sobre cada notícia que recebe do mundo político. Cenas lamentáveis de usurpação moral atingindo as instituições que deveriam se posicionar como exemplo à toda nação, são as mais corriqueiras atingindo as gerações atuais e futuras.

E, também, não é por menos.


Às ocorrências de agora, se somam 50 anos cravados de total desilusão da sociedade quando se analisa os fatos que marcaram as cenas da política nacional.Podemos considerar isto como o fio condutor que emana no subconsciente de cada brasileiro.


Os acontecimentos demonstram que esta “análise psico-política do Brasil” nos leva, sem quase percebermos, da esperança à frustração permanente.
O que isto significa para a nação? São três gerações que viram as suas principais lideranças políticas se envolvendo em práticas escusas, omissão, falta de ética e corrupção, só para ficar nos itens mais percebidos.


Destas instituições, muitas vezes combalidas, permanecem os poderes legislativo e executivo capitaneando tal subversão com tanta voracidade que chega ao destemor. E ao buscarmos no judiciário nossa armadura de proteção, os maus exemplos de postura também proliferam. Vejamos, então, o “cronograma da frustração” e percebamos onde e em qual deles fomos mais tocados:

1954: suicídio de Getúlio Vargas, o “pai” da nação
1961: renúncia de Jânio Quadros (após 7 meses da posse), o mais votado dos presidentes até então
1964: João Goulart é deposto por estar comprometido com as “bases da esquerda”
1964/ 1985: ditadura militar, 21 anos sem eleições, sem participação e forte omissão da sociedade
1985: com o apoio total da população, antes de assumir como primeiro presidente civil após a ditadura, morre Tancredo Neves em situação de grande comoção nacional
1992: o Presidente Collor, moço, quase destemido, eleito no primeiro sufrágio para Presidente, é destituído do cargo e sofre o impeachment
1995 a 2002: O Presidente/FHC estabiliza economicamente o país, mas não demonstra à sociedade seu real compromisso com  os principais problemas sociais
2003/ 2007: o Presidente Lula, eleito com o maior votação da história do Brasil para Presidência, e os membros de seu partido, se envolvem em escândalos de corrupção permanentes e inimagináveis para o PT,considerado o “guardião da ética”.

O processo, portanto, é contemporâneo e merece destaque no nosso contencioso mental frustrante.
Qualquer sociedade precisa de uma referência política fortalecida na construção das instituições e dos seus valores. E, na verdade, estamos perdendo no Brasil este elo de referência, o que é muito grave!


Diante de tudo isto, a pergunta que mais entoamos é: qual a solução?


O PNBE – Pensamento Nacional das Bases Empresariais, desde 1993, apresentou à nação sua tese sobre a Reforma Política, tão necessária à época. Já se passaram quatorze anos e todos os itens sugeridos fazem parte ainda hoje do processo de discussão. Em 2003, sintonizado com o futuro do Brasil, o PNBE lança o projeto “Do Brasil que temos ao Brasil que queremos em 2022”, propondo metas a serem alcançadas para os 200 anos da Independência do país, estruturado à luz de 5 pilares: educação, empreendedorismo, reforma do Estado, governança pública e combate à corrupção e desenvolvimento sustentável.


No entanto, o que entendemos é que, neste instante, o papel principal na observação de todo este cenário é a forte presença da sociedade civil e dos veículos de comunicação na construção de um novo modelo para o Brasil.


Por aqui deve passar a indignação sobre todos os envolvidos nos escândalos, renascer o esforço de entendermos que temos que assumir verdadeiramente o nosso país e demonstrar aos políticos que a agenda do Brasil vai ser pautada pela sociedade.


E a pauta de ação é simples, pois é, basicamente, o que o conjunto da nação espera que seja feito:
· a condução, até o fim, de todas as investigações dos atos ilícitos, e a punição de todos os envolvidos indistintamente;
· a manutenção das instituições fortalecidas;
· a ética como princípio básico da política;
· o combate permanente contra a corrupção;
· a luta incessante contra a impunidade em todos os setores da sociedade, com agilidade da justiça
· a revisão da Constituição em pontos específicos, e somente eles, tais como:
o reforma administrativa
o reforma política
o reforma tributária


Tais iniciativas podem ser definidas através de um grande “mutirão nacional” pela solução destes problemas, encabeçadas pelos Presidente da República, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, com um firme olhar e intenção plena para que, juntos, os “poderes nacionais” e os líderes, tenham uma só causa: o benefício da sociedade, o fortalecimento das instituições e o desenvolvimento sustentável do nosso país.

No entanto, fica a pergunta: será que estes líderes existem e têm capacidade e intenção para tal?


Enquanto a nação indignada vai aguardando os sinais destas intenções, o PNBE participa dos mais variados movimentos junto com as demais Entidades da sociedade civil, certo de que estará contribuindo para o exercício da cidadania e das mudanças que a nação, nesta hora de emergência, quer e precisa conquistar.


Lívio Giosa
2º Coordenador Geral do PNBE

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