De acordo com o PNBE, Pensamento Nacional das Bases Empresariais, a restrição de crédito poderá ser o principal responsável pela repercussão da crise mundial sobre a economia brasileira, e o grande afetado será o setor imobiliário.
Especialistas analisam que o Brasil passará por efeitos pontuais pela crise da produção da indústria da construção norte-americana. De todo modo, as exportações de materiais de construção, especialmente granitos e cerâmicas de revestimentos, poderão ser compensados pelo dinamismo do mercado imobiliário nacional.
“O fato de o Brasil estar mais imune à crise não significa que possa manter o ritmo de crescimento alcançado nos últimos trimestres. Terá um crescimento menor, mas manterá o crescimento. Seria, enfim, uma boa oportunidade para um grande salto de desenvolvimento, mas que provavelmente, perderá força devido à falta de preparo adequado”, opina Jorge Hori, coordenador do PNBE.
O mercado brasileiro de valores monetários é contaminado pelas bolsas estrangeiras. As movimentações são inteiramente especulativas. Esse nicho da economia brasileira também terá reflexos da crise mundial. Os bancos se retraem, precisam fazer mais caixa para atender aos eventuais saques ou resgates e com isso, passam a ser mais seletivos.
Ainda segundo Jorge Hori, a hegemonia do sistema financeiro norte-americano foi abalada e não terá a mesma importância após a crise. “Com receio das novas regulamentações, os capitais tenderão a migrar para outros mercados, e os europeus são os mais prováveis de assumirem a nova liderança”. Por essa razão, a parte mais visível da crise mundial está no mercado acionário que representa uma parte menor da economia.
A economia real terá que voltar a se movimentar com maior seletividade. Nesse quadro, o Brasil poderá ser amplamente beneficiado, com a melhor oportunidade futura, graças ao seu petróleo no pré-sal profundo.