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Carta sobre o voto distrital misto: Por que esquecemos em quem votamos?

Por: Mario Ernesto Humberg - Presidente do Conselho Consultivo do PNBE
Data de publicação: 09/07/2026

O artigo de Carlos Pereira (Estadão 06/07) volta ao tema do sistema eleitoral brasileiro com voto proporcional, que dificulta – ou impossibilita - que nos lembremos de em quem votamos, pois os eleitos não representam os eleitores, mas determinados grupos de interesse.

Se tomarmos o exemplo de São Paulo, houve 1.924 candidatos a deputado estadual em 2022, para 94 vagas, ou seja 1.830 não se elegeram.

Mesmo considerando que alguns são chamados como suplentes, para assumir para substituir eleitos que vão para cargos no executivo, quem votou nos mais de 1.800 candidatos que não chegaram ao cargo, um mês depois já não lembram mais em quem votaram.

Além disso, muitos dos 94 eleitos não têm vínculos com seus eleitores, que podem estar entre os mais de 34,6 milhões de eleitores que o Estado de São Paulo tinha espalhados nas várias regiões em 2022.

Por essa razão muitos movimentos e grupos, defendem o voto distrital misto, que permite dupla vinculação do eleito com os eleitores, por distrito e por opção partidária.

Sem mudar o sistema eleitoral, os deputados, estaduais e federais continuarão a não ter vínculos nem representar os eleitores e, portanto, a maioria destes não têm razão para lembrar deles.

Publicado em: Estadão em 08/07/2026 -
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