
Importante o lembrete do Estadão (30/8, A17) sobre a possibilidade da existência de senadores que não foram votados nem mencionados na maioria das campanhas eleitorais, como exemplificado pelo caso do senador Major Olímpio.
A existência desta figura de suplente de senador é mais um dos problemas que temos no sistema político brasileiro, em que se mistura o Legislativo com o Executivo, quando deputados e senadores assumem ministérios, mas foram votados para exercer mandato no Congresso.
Na República, supõe-se que os Três Poderes são independentes; logo, não caberia misturá-los. Vale recordar o caso da senadora Hillary Clinton, que renunciou ao mandato de senadora por Nova York para assumir um cargo no Executivo dos EUA, com o que teve de ser eleito outro senador para a vaga, uma vez que lá não existem suplentes.
Como essa mistura entre Executivo e Legislativo no Brasil é difícil de mudar, em razão de maiores visibilidade, prestígio e vantagens de estar no Executivo, caberiam duas soluções: a primeira é ter apenas um suplente, que deveria constar em toda a divulgação do candidato ao Senado; a segunda é passar o cargo para o colocado em segundo lugar na votação do partido ou grupo partidário. Essa segunda alternativa já ocorreu no Brasil, quando André Franco Montoro renunciou para ser governador de São Paulo e Fernando Henrique assumiu seu lugar.