
A decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, publicada após uma reunião do pré-candidato Flávio Bolsonaro com Donald Trump, acende um alerta sobre os interesses políticos que podem estar associados à medida. Diante da ação, o Pacto pela Democracia reafirma sua defesa intransigente da soberania nacional, sobretudo em um ano decisivo para o futuro da democracia no Brasil.
Apresentada sob o discurso de combate ao crime organizado, a classificação das facções como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO), nos termos da legislação estadunidense, a partir de 5 de junho, pode servir para justificar sanções, ampliar mecanismos de pressão diplomática e abrir espaço para formas de interferência em assuntos internos brasileiros, inclusive eleitorais.
O enfrentamento ao crime organizado exige cooperação internacional legítima, construída com respeito às instituições nacionais e voltada ao fortalecimento das capacidades do Estado brasileiro, e não iniciativas unilaterais que fragilizam a autonomia nacional ou ampliam possibilidades de interferência política externa.
Especialistas em segurança pública já questionam a eficácia da medida e alertam para seus potenciais impactos à soberania do país, fundamento da República Federativa do Brasil e princípio estruturante de sua atuação internacional. Além disso, ela pode impactar significativamente o setor bancário e financeiro brasileiro ao ampliar a possibilidade de sanções arbitrárias dos EUA contra bancos, empresas e instituições nacionais, inclusive por vínculos indiretos. Mais grave ainda, sua adoção tende a aprofundar diretamente a criminalização de famílias, moradores e movimentos e/ou entidades da sociedade civil que atuam com comunidades já vulnerabilizadas, como a própria experiência estadunidense demonstra.
A decisão está relacionada também ao direito do país de conduzir seus processos democráticos sem pressões externas ou tentativas de influência sobre seus rumos políticos. Em um ano eleitoral, a retórica de enfrentamento ao crime organizado não pode servir de justificativa para ações que ameacem a autonomia do Estado brasileiro, relativizem direitos fundamentais ou abram precedentes para ingerência em assuntos de responsabilidade exclusiva do país.
Em um contexto marcado pelo avanço do autoritarismo e pela instrumentalização política da violência institucional e de mecanismos de pressão econômica, diplomática e institucional, é fundamental reiterar que nenhum projeto político, interno ou externo, pode se sobrepor ao Estado de Direito e à construção democrática de instituições livres e soberanas acordadas entre todos e todas desde 5 de outubro de 1988.
O Pacto pela Democracia seguirá vigilante na defesa das instituições democráticas, da soberania nacional e da construção de um país livre de autoritarismos, ameaças externas e tentativas de intimidação política.
ASSINAM ESTE POSICIONAMENTO:
Aláfia Lab
Aliança Brazil Office
Aliança Nacional LGBTI+
Bonde
BrCidades
Centro de Convivência É de lei
Coalizão Brasil por Memória, Verdade, Justiça, Reparação e Democracia
Conectas Direitos Humanos
Clima de Política
Delibera Brasil
Escola da Democracia
Frente Ampla Democrática pelos Direitos Humanos - FADDH
Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
Instituto Alziras
Instituto Democracia e Sustentabilidade - IDS
Instituto Democracia em Xeque
Instituto de Defesa do Direito de Defesa - IDDD
Instituto de Estudos Socioeconômicos - INESC
Instituto Foz
Instituto Lamparina
Instituto Marielle Franco - IMF
Instituto Sou da Paz
Instituto Terra, Trabalho e Cidadania - ITTC
Kurytiba Metropole
Movimento Negro Evangélico do Brasil
Nonada Jornalismo
Observatório do Marajó
Open Knowledge Brasil
Pensamento Nacional das Bases Empresariais - PNBE
Plataforma Brasileira de Política de Drogas - PBPD
Plataforma JUSTA
ponteAponte
Rede Conhecimento Social
Rede Justiça Criminal
Sleeping Giants Brasil
Transparência Eleitoral Brasil - TEB
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